terça-feira, 19 de março de 2013

LUZ NO ESCURO




Um ambiente deve ser considerado como um espaço onde se contemplam as atividades cotidianas, e para isso não mais coerente do que tratar esses espaços de forma plástica e funcional, buscando conforto ambiental que se pode resumir em conforto físico, visual, térmico e acústico e psicológico.
Entretanto, muitos profissionais consideram no momento de concepção desses espaços que o sucesso pode ser alcançado apenas através de duas leis de conforto ambiental guiadas pelo conforto físico e visual (espaço x beleza). Apropriam-se de formas inusitadas, revestimentos sofisticados e mobiliário contemporâneo justificando com essa tríade o atingimento do ideal de conforto de um espaço ou ambiente. 
Deve-se considerar que para o sucesso de um ambiente, antes de ser belo, o mesmo deve funcionar, ou seja, alcançar o programa mínimo para que desempenhe suas funções sem agredir as leis e premissas de conforto. Um espaço deve ser avaliado e concebido partindo da proposta – Para que serve? O que se deve implantar para que desempenhe suas funções? Como distribuir? Entre outras questões.
Partindo das propostas citadas, deve-se avaliar também no condomínio o fluxo de transeuntes, o número de usuários, seu perfil e idade, suas características, a disponibilidade financeira, etc.  A partir de tais informações é possível desenvolver uma ideia fundamentada e que atingirá os objetivos solicitados.  
Mas, afirma-se que existe um item  dentro do conforto visual que muitas vezes - quando não sempre - é desprezado pelos profissionais e até mesmo pelos usuários: A ILUMINAÇÃO        . Os espaços sempre são tratados e implantados de forma segura quanto aos materiais e distribuição das peças de mobiliário, porém, no momento de especificar a iluminação, distribuem-se pontos diversos sem a menor concepção luminotécnica, com o propósito apenas de iluminar, e que muitas vezes não atinge nem mesmo esse objetivo.
Quando da seleção da iluminação, os usuários ou profissionais tendem a focar sua escolha na seleção da luminária, considerando apenas razões estéticas, e nâo se preocupam com a escolha da lâmpada, que é o material que garantirá ao espaço o ideal luminotécnico.
A implantação desenfreada de luminárias sem o menor cuidado, na maioria dos casos, confere aos espaços uma espécie de flash luminotécnico, não valorizando nada e criando intensas e enormes áreas de sombras, ou excesso de luz, impedindo a visualização e o deslumbramento pleno do espaço alcançado pela análise real de texturas e tonalidades, pelos espaços de circulação através do uso adequado da iluminação.
 A sociedade está muito preocupada com a sustentabilidade do planeta, com a  conservação dos recursos naturais, com o uso racional dos espaços evitando desperdícios de áreas, com a preservação de matas e regiões ribeirinhas, mas pouco se discute quanto ao real uso da energia luminotécnica, quanto à melhor maneira de desfruta-la através da distribuição de lâmpadas e luminárias.
O ideal não seria apenas a substituição de lâmpadas incandescentes e halógenas pelas fluorescentes e de LED, mas sim a aplicabilidade correta das mesmas em um espaço/ ambiente seja ele interno ou externo, pois além de minimizar o consumo energético fornecido pela concessionária, também traria garantias na valorização dos espaços, minimizaria os custos de implantação e manutenção, ampliaria a gama de diversidade de cenários em um condomínio ou residência através da iluminação cenógrafa, entre outras vantagens.

Quando se fala em iluminação cenógrafa ou cênica se está aqui defendendo a ideia de iluminar um ambiente de qualquer complexidade através da distribuição de circuitos, onde é possível criar ambientação através da iluminação apenas de uma parede que serviria como uma espécie de abajur aceso durante a noite em espaços de hall de edifícios, ou ainda, iluminar uma mesa de centro e uma poltrona quando da espera de um visitante, da iluminação sobre a bancada de trabalho evitando que o todo de uma sala seja iluminado quando da não utilização plena desse espaço, ou inúmeras outras suposições.

   

Na verdade, o que se percebe na maioria dos condomínios e residências é a implantação de inúmeras luminárias (leia-se: lâmpadas) acesas ao mesmo tempo, sem a preocupação de se valorizar os ambientes,  onerando os custos com energia.



Vale conhecer e tratar a iluminação como um item tão importante quanto o mobiliário, pois apresenta funções vitais no uso dos espaços, já que sem luz não se desfruta do ambiente. É possível garantir a determinados espaços o sucesso de até 60% no projeto pelo uso adequado das lâmpadas, pois reduzem a sensação térmica, deslumbram matérias e acabamentos implantados, minimizam custos energéticos e aceleram o uso real do espaço, uma vez que ambientes devidamente iluminados tendem a desenvolver nos usuários índices maiores de desempenho e utilização.

VINICIUS TREVISAN
ARQUITETO
 LIGHT DESIGNER
CAU A-345890
Colunista da Folha Condomínios
www.jornalfolhacondominios.com.br

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