Um ambiente deve ser considerado
como um espaço onde se contemplam as atividades cotidianas, e para isso não
mais coerente do que tratar esses espaços de forma plástica e funcional,
buscando conforto ambiental que se pode resumir em conforto físico, visual,
térmico e acústico e psicológico.
Entretanto, muitos profissionais
consideram no momento de concepção desses espaços que o sucesso pode ser
alcançado apenas através de duas leis de conforto ambiental guiadas pelo
conforto físico e visual (espaço x beleza). Apropriam-se de formas inusitadas,
revestimentos sofisticados e mobiliário contemporâneo justificando com essa
tríade o atingimento do ideal de conforto de um espaço ou ambiente.
Deve-se considerar que para o
sucesso de um ambiente, antes de ser belo, o mesmo deve funcionar, ou seja,
alcançar o programa mínimo para que desempenhe suas funções sem agredir as leis
e premissas de conforto. Um espaço deve ser avaliado e concebido partindo da
proposta – Para que serve? O que se deve implantar para que desempenhe suas
funções? Como distribuir? Entre outras questões.
Partindo das propostas citadas, deve-se
avaliar também no condomínio o fluxo de transeuntes, o número de usuários, seu perfil
e idade, suas características, a disponibilidade financeira, etc. A partir de tais informações é possível
desenvolver uma ideia fundamentada e que atingirá os objetivos solicitados.
Mas, afirma-se que existe um
item dentro do conforto visual que
muitas vezes - quando não sempre - é desprezado pelos profissionais e até mesmo
pelos usuários: A ILUMINAÇÃO . Os
espaços sempre são tratados e implantados de forma segura quanto aos materiais
e distribuição das peças de mobiliário, porém, no momento de especificar a iluminação,
distribuem-se pontos diversos sem a menor concepção luminotécnica, com o
propósito apenas de iluminar, e que muitas vezes não atinge nem mesmo esse
objetivo.
Quando da seleção da iluminação, os
usuários ou profissionais tendem a focar sua escolha na seleção da luminária,
considerando apenas razões estéticas, e nâo se preocupam com a escolha da lâmpada,
que é o material que garantirá ao espaço o ideal luminotécnico.
A implantação desenfreada de
luminárias sem o menor cuidado, na maioria dos casos, confere aos espaços uma espécie
de flash luminotécnico, não valorizando nada e criando intensas e enormes áreas
de sombras, ou excesso de luz, impedindo a visualização e o deslumbramento
pleno do espaço alcançado pela análise real de texturas e tonalidades, pelos
espaços de circulação através do uso adequado da iluminação.
A sociedade está muito preocupada com a
sustentabilidade do planeta, com a conservação dos recursos naturais, com o uso racional
dos espaços evitando desperdícios de áreas, com a preservação de matas e
regiões ribeirinhas, mas pouco se discute quanto ao real uso da energia
luminotécnica, quanto à melhor maneira de desfruta-la através da distribuição
de lâmpadas e luminárias.
O ideal não seria apenas a
substituição de lâmpadas incandescentes e halógenas pelas fluorescentes e de
LED, mas sim a aplicabilidade correta das mesmas em um espaço/ ambiente seja
ele interno ou externo, pois além de minimizar o consumo energético fornecido
pela concessionária, também traria garantias na valorização dos espaços,
minimizaria os custos de implantação e manutenção, ampliaria a gama de
diversidade de cenários em um condomínio ou residência através da iluminação
cenógrafa, entre outras vantagens.
Quando se fala em iluminação
cenógrafa ou cênica se está aqui defendendo a ideia de iluminar um ambiente de
qualquer complexidade através da distribuição de circuitos, onde é possível
criar ambientação através da iluminação apenas de uma parede que serviria como
uma espécie de abajur aceso durante a noite em espaços de hall de edifícios, ou
ainda, iluminar uma mesa de centro e uma poltrona quando da espera de um
visitante, da iluminação sobre a bancada de trabalho evitando que o todo de uma
sala seja iluminado quando da não utilização plena desse espaço, ou inúmeras
outras suposições.
Na verdade, o que se percebe na
maioria dos condomínios e residências é a implantação de inúmeras luminárias (leia-se:
lâmpadas) acesas ao mesmo tempo, sem a preocupação de se valorizar os ambientes,
onerando os custos com energia.
Vale conhecer e tratar a
iluminação como um item tão importante quanto o mobiliário, pois apresenta
funções vitais no uso dos espaços, já que sem luz não se desfruta do ambiente.
É possível garantir a determinados espaços o sucesso de até 60% no projeto pelo
uso adequado das lâmpadas, pois reduzem a sensação térmica, deslumbram matérias
e acabamentos implantados, minimizam custos energéticos e aceleram o uso real
do espaço, uma vez que ambientes devidamente iluminados tendem a desenvolver
nos usuários índices maiores de desempenho e utilização.
![]() |
| VINICIUS TREVISAN |
ARQUITETO
LIGHT DESIGNER
CAU A-345890
Colunista da Folha Condomínios
www.jornalfolhacondominios.com.br





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